Já não é de hoje que o minimalismo está em pauta. Muitas pessoas estão percebendo a conexão que existe entre viver com menos e a liberdade e, o movimento minimalista não é nada menos do que o reflexo de uma sociedade cansada de encontrar sentido apenas no consumismo e no modelo de vida perfeita que venderam para nós.

A verdade é que estamos cansados, trabalhamos para comprar coisas que não precisamos e foi a sociedade do consumo que nos vendeu essa ideia. Achamos que precisamos morar em uma casa grande para ser feliz, que precisamos estar sempre na última moda, andar de carro do ano e trocar de celular constantemente.

Porém, isso já faz parte do passado de muita gente. A corrente agora é outra e muitas pessoas têm mostrado ao mundo o real significado da palavra felicidade, como os nômades digitais.

Os jovens da nossa geração enxergam o sucesso de uma outra forma. A geração dos nossos pais e avós só considerava alguém de sucesso se tivesse casa própria e pelo menos um carro. A nossa geração prefere ter experiências e viver uma vida com mais sentido.

Ser nômade digital é ter um estilo de vida baseado, sobretudo, na liberdade de ir e vir e no desapego, não somente de coisas materiais, mas ver-se livre deste sistema limitante que passaram a vida inteira nos dizendo ser o certo. Ser nômade digital é viver fora da caixa, é saber que precisamos de muito menos pra ser feliz, é não se contentar com um trabalho que não nos inspira e poder tirar férias apenas uma vez ano.

O nomadismo digital ensina que não devemos ter medo do domingo, pois ele é um dia como outro qualquer e que as segundas-feiras não precisam ser sinônimo de angústia. Angústia de estar vivendo uma vida que não te faz feliz.

Muitos jovens de hoje já não querem ter seu carro, muito menos passar 30 anos pagando por uma casa própria. Eles preferem investir seu tempo e dinheiro em experiências e, se tem uma coisa que a vida nômade ensina, é que nosso tempo é sagrado e que devemos usá-lo com sabedoria e respeito. Sim, respeito. Como podemos esperar que a felicidade venha à nossa porta, se passamos mais da metade da nossa vida fazendo algo que não nos dá tesão?

Ser nômade digital nos mostra que um novo modo de viver é possível, o minimalismo. Nós não precisamos de tanta coisa e quando aprendemos a viver sem bagagens desnecessárias, descobrimos o real significado de viver com um propósito. Quando mais coisas temos, mais precisamos trabalhar para poder continuar mantendo o padrão e acabamos entrando em um ciclo vicioso sem fim.

Para enxergar a vida desse modo, é preciso não só desapegar de coisas, mas também de crenças limitantes. Não tem problema você largar o emprego que paga suas contas, mas não te deixa dormir. Não tem problema começar de novo e arriscar ser feliz. A vida não é uma competição, mas o que ela espera de nós é coragem. Há muitas formas de ganhar a vida, sem precisar estar fechado num escritório. Inclusive, muitos nômades digitais ganham muito mais dinheiro do que ganhavam quando trabalhavam num escritório fixo, porque criaram um trabalho que os faz feliz e que permite um estilo de vida com menos estresse. Quem trabalha feliz, naturalmente faz um melhor trabalho e consequentemente ganha mais.

Ser nômade digital e ter coragem de dizer “não” a um sistema que tem se mostrado cada vez mais falho, é ter coragem de não ser um consumista em um mundo tão perdido. É abraçar a vida em sua totalidade, saber que precisamos de pouco pra nos sentirmos satisfeitos e encontrar uma comunhão perfeita entre trabalho, propósito e felicidade. Porque, sim, é possível ser feliz trabalhando com o que gostamos. Sim, é possível ganhar muito dinheiro trabalhando com liberdade geográfica. Sim, é possível ter uma carreira de sucesso sem precisar estar fechado num escritório.

Ser nômade digital é mais do que um estilo de vida. É desconstruir tudo o que sempre nos disseram, ressignificar a vida e o trabalho e descobrir que formas mais minimalistas de viver podem ser uma ótima escolha. Ser minimalista não é ter pouco dinheiro; é ter dinheiro, mas não necessariamente precisar gastá-lo comprando um monte de coisas que vão deixar as nossas vidas pesadas. É perceber que ter coisas é algo bacana, mas que não precisamos delas para sermos felizes. É aprender uma lição que vamos levar com a gente para o resto da vida – a felicidade não está nas coisas; ela mora dentro da gente.

Por N.D.